Princípio ativo: fluoxetina

Condições de saúde relacionadas: depressão maior, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), pânico, bulimia nervosa e TDPM (saúde da mulher)

Apresentações habituais: 10 mg e 20 mg

O que é a fluoxetina

A fluoxetina é um antidepressivo da classe dos ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina). Atua aumentando a disponibilidade de serotonina nas sinapses cerebrais, o que pode ajudar a reduzir sintomas de depressão, ansiedade, ataques de pânico, comportamentos obsessivo-compulsivos e alterações do humor associadas ao ciclo menstrual.

Em Portugal, a fluoxetina é disponibilizada em cápsulas e, em algumas marcas, em cápsulas de libertação modificada. Para indicações e limites de dose, siga sempre a prescrição e veja Como usar.

Para que serve

  • Transtorno depressivo major
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)
  • Transtorno de pânico
  • Bulimia nervosa (redução de episódios de ingestão compulsiva e purgação)
  • Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), relevante em saúde da mulher

O uso deve ser avaliado por um médico, que definirá metas terapêuticas e duração do tratamento. Em caso de dúvidas sobre elegibilidade, consulte Precauções e avisos.

Como usar

Utilize exatamente como prescrito pelo seu médico. Não altere a dose por conta própria e não interrompa de forma súbita, pois podem ocorrer sintomas de abstinência. Em geral, a descontinuação exige redução gradual sob supervisão clínica.

Cápsulas de libertação modificada devem ser engolidas inteiras, sem mastigar, abrir ou partir. Caso surjam efeitos novos ou mais intensos, procure orientação e veja Efeitos indesejáveis.

Se estiver grávida, planeia engravidar ou amamenta, discuta previamente os riscos e benefícios. Em fases tardias da gestação, ISRS podem associar-se a complicações neonatais; por isso, a decisão terapêutica deve ser individualizada.

Precauções e avisos

Informe o seu médico sobre histórico de:

  • Doença hepática, diabetes ou problemas urinários
  • Glaucoma de ângulo estreito
  • Convulsões/epilepsia
  • Transtorno bipolar ou episódios maníacos
  • Ideação suicida, uso problemático de substâncias
  • Tratamento com eletroconvulsoterapia (ECT)

Evite consumo de álcool, que pode intensificar reações adversas. A fluoxetina pode causar sonolência ou agitação; avalie a sua resposta antes de conduzir. Para medicamentos que não devem ser combinados, veja Interações e Contraindicações.

Atenção a sinais de agravamento do humor, inquietação marcante ou ideação suicida, sobretudo no início do tratamento ou após mudanças de dose. Em tais situações, procure assistência médica sem demora.

Contraindicações

  • Hipersensibilidade conhecida à fluoxetina ou a qualquer excipiente da formulação
  • Uso concomitante com pimozida ou tioridazina
  • Uso atual ou recente (últimos 14 dias) de inibidores da monoaminooxidase (IMAOs), como isocarboxazida, linezolida, fenelzina, rasagilina, selegilina, tranilcipromina ou metiltionínio intravenoso

Após parar um IMAO, aguarde no mínimo 14 dias antes de iniciar fluoxetina. Após interromper fluoxetina, aguarde pelo menos 5 semanas antes de iniciar tioridazina ou um IMAO, devido à sua meia-vida prolongada. Para mais combinações a evitar, veja Interações.

Efeitos indesejáveis

Procure assistência urgente se houver sinais de reação alérgica grave (urticária, inchaço de face/garganta, dificuldade para respirar) ou reação cutânea severa.

Efeitos potencialmente graves que exigem avaliação médica imediata:

  • Sintomas de síndrome serotoninérgica: agitação, alucinações, febre, sudorese, tremores, rigidez muscular, diarreia, náuseas
  • Alterações visuais intensas, dor ou inchaço ocular
  • Arritmias, palpitações, falta de ar, tonturas súbitas
  • Hiponatremia: cefaleia, confusão, fala arrastada, fraqueza intensa, instabilidade

Reações frequentes, geralmente leves a moderadas:

  • Insónia ou sonhos vívidos
  • Cefaleia, tontura, sonolência, alterações visuais
  • Tremor, nervosismo, sensação de ansiedade
  • Náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal, boca seca
  • Suores, afrontamentos, fadiga, bocejos
  • Rinite/congestão nasal, dor de garganta, sintomas tipo gripe
  • Alterações de apetite ou peso
  • Disfunção sexual: redução da libido, dificuldade de orgasmo, impotência

Qualquer efeito novo, persistente ou inquietante deve ser comunicado ao médico. Em caso de dúvidas sobre gravidade, veja também Precaucoes.

Interações medicamentosas

A fluoxetina pode interagir com diversos fármacos. Informe o seu médico e farmacêutico sobre tudo o que utiliza, incluindo fitoterápicos e suplementos.

  • Risco de arritmias ou prolongamento do QT: certos antibióticos, antifúngicos, antiarrítmicos e antipsicóticos
  • Aumento de sonolência: opioides, benzodiazepinas, hipnóticos, relaxantes musculares, antiepiléticos
  • Risco de síndrome serotoninérgica: triptanos para enxaqueca, tramadol, l-triptofano, lítio, outros antidepressivos, Erva-de-S. João
  • Risco hemorrágico: AINEs como ibuprofeno, naproxeno, diclofenac, aspirina; anticoagulantes como varfarina
  • Estimulantes para TDAH/narcolepsia: podem intensificar efeitos no SNC
  • Linezolida e metiltionínio IV: contraindicados com ISRS, ver Contraindicacoes

Antes de iniciar ou parar qualquer medicamento, confirme a segurança da combinação. Em caso de dúvida, procure aconselhamento profissional.

Esquecimento de dose

Se falhar uma toma, utilize assim que lembrar. Se estiver perto do horário da dose seguinte, ignore a esquecida e retome o esquema habitual. Não duplique doses.

Sobredosagem

Em caso de ingestão excessiva, procure assistência imediata. Em Portugal, contacte o 112 ou o CIAV - Centro de Informação Antivenenos: 800 250 250.

Conservação

Conserve à temperatura ambiente, protegido de humidade e calor, e fora do alcance de crianças e animais de estimação. Não utilize após o prazo de validade indicado.

Alternativas e medicamentos semelhantes

Medicamentos com mecanismos e indicações semelhantes podem ser considerados pelo médico caso a fluoxetina não seja adequada ou eficaz. Exemplos:

  • Outros ISRS: sertralina, escitalopram, citalopram, paroxetina, fluvoxamina
  • IRSN: venlafaxina, duloxetina
  • Outros antidepressivos: mirtazapina, bupropiona, agomelatina, vortioxetina, amitriptilina, clomipramina

Comparação resumida:

  • Sertralina e escitalopram: frequentemente bem tolerados e versáteis em depressão e ansiedade
  • Paroxetina: eficaz, porém com maior chance de efeitos anticolinérgicos e descontinuação difícil
  • Venlafaxina/duloxetina: atuam também sobre noradrenalina, úteis em dor neuropática (duloxetina) e casos resistentes
  • Mirtazapina: pode melhorar sono e apetite, com potencial de ganho ponderal

Seleção depende de perfil de sintomas, comorbidades, interações e preferências do paciente. Para impacto no orçamento, veja Preços. A substituição por genérico é, em regra, permitida em Portugal, salvo indicação clínica de não substituição.

Preços e reembolsos em Portugal

Valores aproximados, que variam por marca, tamanho da embalagem e comparticipação do SNS:

  • Fluoxetina genérica 20 mg, 28 a 30 cápsulas: cerca de 2 a 8 EUR
  • Fluoxetina 10 mg, 28 a 30 cápsulas: geralmente 2 a 7 EUR
  • Marcas de referência ou apresentações especiais: podem custar mais

Comparativos aproximados com alternativas genéricas:

  • Sertralina 50 mg (28-30 comp.): ~2 a 7 EUR
  • Escitalopram 10 mg (28-30 comp.): ~3 a 10 EUR
  • Venlafaxina 75 mg LP (30 comp.): ~4 a 12 EUR
  • Mirtazapina 30 mg (30 comp.): ~3 a 10 EUR

Embalagens maiores podem reduzir o custo por dose. A comparticipação do SNS e o regime de copagamento afetam o preço final ao utente. Confirme sempre na sua farmácia e verifique a existência de genéricos com preço mais baixo. Para saber se pode trocar de marca, consulte Aspetos legais.